Cem estratégias

Estrategia

Se fosse possível um qualquer algoritmo apurar as palavras que mais vezes são recitadas  pelos professores do meu curso, a primeira do ranking seria estratégia, com  um impressionantíssimo registo de, nada mais nada menos,  trezentas e catorze mil duzentas e quarenta e oito menções. Já era de esperar que soubesse definir o conceito assim como quem diz o abecedário, mas não foi isso que se verificou quando o tentei fazer ao discutir com uma amiga o tema do post do blog desta semana. Creio que faz parte da extensa lista de termos que sei o que significam, mas tenho dificuldade em explicar (sim, sei que há quem defenda que se não conseguimos clarificar, não compreendemos, mas eu posso asseverar-vos que sei, sou só terrível a expressar-me oralmente).

Enfim, sem mais demoras, estratégia é a trajetória escolhida por uma organização para alcançar os intentos a que se propõe, que deve estar em sintonia com os seus valores e a sua identidade e ter em conta o meio envolvente. Tem um carácter subtractivo, na medida em que é mais meritório perceber o que não deve ser feito ao invés daquilo que se vai fazer e é invisível aos olhos de entidades extrínsecas à empresa, contrariamente às tácticas e ao procedimento operacional que a materializam. A sua principal finalidade é a criação de valor – não só para a empresa, mas também para a sociedade em que actua –  e consequentemente, o alcance de uma posição privilegiada perante a concorrência. A estratégia consiste, portanto e segundo Michael Porter, em actuar de forma diferenciadora, permitindo o desenvolvimento de variáveis únicas e valiosas que destaquem as empresas dos seus oponentes. É, assim, absolutamente primordial que todas as organizações tenham uma estratégia, isto é, uma bússola que oriente e norteei a sua actividade, um trilho para operacionalizar os objectivos estabelecidos e a meta estipulada. Caso contrário sucumbirão num mercado cada vez mais competitivo. 

“A corporation without a strategy is like a airplane weaving throught stormy skies, hurled up and down, slammed by the wind, lost in the thunderheads. If lightning or crushing winds don’t destroy it, it will simply run out of gas.” (Toffler, The Adaptive Corporation)

E não poderia falar de estratégia sem referir o Bussiness Model Canvas, uma ferramenta de gestão estratégica que permite definir uma proposta de valor através de nove pontos interligados entre si:

  • Proposta de Valor (identificação dos produtos/serviços que a empresa oferece e  da forma como satisfazem as necessidades e desejos dos consumidores, isto é, como representam valor para o cliente);
  • Segmentos de Clientes (definição e caracterização dos públicos da organização); 
  • Relacionamento com clientes (tipo de relações que a empresa pretende estabelecer com os públicos que definiu);
  • Canais de Distribuição (canais utilizados pela organização para entregar a sua proposta de valor aos públicos);
  • Fluxos de Receitas (qual será a remuneração pelo valor que a empresa oferece);
  • Atividades Chave (acções fundamentais para a materialização da estratégia);
  • Recursos Chave (recursos que a empresa precisa de ter para a implementação das actividades);
  • Parceiros (parecerias fundamentais a estabelecer para o sucesso do modelo de negócio);
  • Estrutura de Custos (custos necessários previstos para a operacionalização das acções).

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Focando-me, agora, no mote que é o desafio desta semana, “Estratégia? Isso não serve para nada!”, interpretei-o como a imprescindibilidade de, num mundo que nada tem de inerte, adoptar uma perspectiva de actuação dinâmica, capaz de se ajustar às adversidades que poderão surgir. A estratégia não deve ser um processo estático e absolutamente metódico, sob o risco de se tornar obsoleta aquando uma vicissitude. Não é viável que nos fixemos a uma mesma estrada, ao ponto de toldar todas as outras vielas, mas antes revê-la e reavaliá-la de forma a responder, eficazmente, às mudanças do mercado. Assim, as organizações devem ser receptivas a alterações operacionais, de maneira a aumentarem ou manterem a sua competitividade e estar aptas a redefinir e adaptar o seu caminho consoante as circunstâncias.

A estratégia é, portanto, a melhor via para auferir determinada posição e possibilita o usufruto de vantagens competitivas face à concorrência. É crucial, no entanto, que seja flexível e mutável, já que, no mundo actual, os acessos mais adequados hoje, são exíguos amanhã, apresentando um prazo de validade  curto.

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A arte da vida

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Zygmunt Bauman – um sociólogo polonês e grande pensador contemporâneo – presenteia-nos com um livro desconcertante que aborda a sociedade moderna de consumidores, o modo como constrói a procura da felicidade, as referências e os valores que a fundamentam e e as repercussões que tem na identidade e relacionamentos sociais do ser-humano.

Começa por dar-nos conta do desejo voraz e da busca compulsiva pela felicidade do indivíduo do século XXI – cada vez mais narcisista e auto-centrado – que, toldado pela crueldade do capitalismo, a faz depender de variáveis com preço de mercado. O cidadão actual considera, portanto, existir uma relação directamente proporcional entre consumo e expectativa de ventura, ideia que, segundo o autor, foi criada e é vigorosamente alimentada pela convenção de compra e venda, “uma máquina oculta que produz lucros”  – identificando o consumo gerador de felicidade com o consumo dos objectos e serviços postos à venda nas lojas” (Bauman, 2008, p. 18).

O autor critica, assim, a convicção geral de que o PIB é um bom parâmetro hegemónico para avaliar a performance dos países e faz referência à pesquisa de Richard Layard segundo a qual o grau de ledice só aumenta de forma significativa quando o pauperismo é suprimido e substituído pela satisfação das necessidades básicas, e pára de avolumar ou tende a decrescer quando se ultrapassa um certo nível de comodidade.

«O PNB não observa a saúde dos nossos filhos, a qualidade da nossa educação ou a alegria dos nossos jogos. (…) Não considera a nossa coragem, sabedoria e cultura. (…) Em resumo, o PNB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena» (Kennedy apud  Bauman, 2008, p. 10)

Num momento seguinte e através de um testemunho de uma jovem adolescente, Bauman afirma que o jogo de consumo da sociedade líquido-moderna (como lhe chama) se prende com a necessidade de alcançar e manter uma posição social favorável necessariamente reconhecida pelos demais – que apresenta um prazo de validade reduzido quanto ao bem-estar que proporciona, obrigando à compra de mais e melhor e um retorno às lojas que oferecem os produtos que os outros consideram in, num ciclo frenético e doentio que não parece cessar. A identidade é então hoje fabricada consoante a moldura social e passou a assemelhar-se a um pay as you watch, pronta a ser reciclada descartada e renovada a qualquer momento e conforme seja necessário.

(…) a identidade agora segue o mesmo destino de outros equipamentos da vida: espera-se e prefere-se que ela, privada de uma direcção determinada para sempre, e já não destinada a deixar vestígios sólidos e indestrutíveis, seja facilmente fundida e passível de ser remodelada em diferentes formatos. Antes um projecto para toda a vida, a identidade transformou-se agora num atributo momentâneo. Depois de planeada, já não é construída para durar eternamente: precisa de ser continuadamente montada e desmontada” (Bauman, 2008, p.25) 

Focando-nos agora no mundo empresarial. Não é precisamente isto que se espera da estratégia? É absolutamente imprescindível, num mercado que nada tem de inerte, adoptar uma perspectiva de actuação dinâmica, capaz de se ajustar às adversidades que poderão surgir. A estratégia não deve ser um processo estático e absolutamente metódico, sob o risco de se tornar obsoleta aquando uma vicissitude. Ao invés, deve ser redefinida e adaptada consoante as circunstâncias.

E das organizações? Deverão estas continuar a promover uma sociedade do consumo?Segundo Phillip de Woot em Rethinking the Enterprise se há um tempo atrás o modelo económico se revelou, incontestavelmente, uma fonte de progressão da humanidade, actualmente, os excessos insustentáveis que o caracterizam podem conduzir-nos a situações irreversíveis, ameaçando a harmonia social e a sobrevivência do planeta. Segundo o autor, o sistema  não é moral nem politicamente aceitável, uma vez que se rege segundo os seus próprios critérios, focados, unicamente, numa performance técnica e financeira exemplar e na maximização dos ganhos líquidos, que obliteram a importância mútua do benefício para a sociedade. 

Woot afirma, então, que as empresas podem – e devem –através da adopção de uma cultura responsável, contribuir para um processo dinâmico de melhoria e transformação do modelo existente, de forma a restaurar a sua dimensão ética e política. As organizações deverão, assim, assumir-se não só como uma entidade física e comercial, mas também social , indo ao encontro das necessidades dos seus públicos e das expectativas criadas pela sociedade relativamente à sua actuação. 

Um profissional de Relações Públicas tem um papel pertinente no desenvolvimento da responsabilidade social e da cidadania empresarial e na recuperação da dimensão moral e política das organizações, na medida em que estabelece relações benéficas com todos os públicos – e não apenas com os accionistas -certificando-se que as suas necessidades são ouvidas. Permite, assim, que as empresas não se tornem um fim em sim mesmas, mas um meio de desenvolvimento humano e que emerjam de um sentido puramente financeiro para integrar uma função social, gerando valor para a sociedade em que actuam.

Monitorizar, Monitorizar, Monitorizar

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A evolução do digital e o surgimento dos social media veio impactar profundamente a área da comunicação e, consequentemente, trazer novos desafios aos profissionais de Relações Públicas, numa era em que a construção de relacionamentos decorre em múltiplos canais, sem limites de tempo ou espaço. Passou a ser, assim, primordial monitorizar o mundo online e acompanhar constantemente todas as mudanças de comportamento e tendências dos consumidores de forma a optimizar o relacionamento que a empresa desenvolve com o seu target e, consequentemente, a evitar a necessidade de uma comunicação de crise e/ou capitalizar possíveis oportunidades.

A Brand24 permite-lhe isso mesmo, isto é, medir o buzz de uma marca ou produto na web social e monitorizar, em tempo real, o que sobre eles se escreve em milhões de fontes por esta Internet fora. É uma espécie de caixa registadora de conteúdos virtuais que possibilita receber e interpretar os insights do público e traçar o seu perfil, e, por conseguinte, adoptar as práticas mais adequadas para responder às suas exigências. Viabiliza, igualmente, uma reacção rápida e instantânea aos comentários dos consumidores – pequenos grandes cães impacientes e em fúria – que preferem a facilidade de escarrapachar a sua insatisfação nos social media, à voz melodiosa da senhora do centro de atendimento automático e aos séculos que nos faz esperar. A ferramenta proporciona, então, um feedback imediato por parte das organizações, o que, em caso de uma opinião negativa ou comentário pejorativo pode impedir cenários catastróficos. Da mesma forma, um controlo constante das conversas online propicia um serviço ao cliente de excelência, que na situação que não poderia deixar de enunciar foi só assim um life safer (uma vénia à Virgin Trains que esteve à altura de uma emergência de um passageiro na casa de banho). Passo a citar: “I’ve just had a reasonably large poo and there is no toilet roll left on the @virgintrains 19.30 train from Euston to Glasgow pls send help.” Três minutos depois a empresa respondeu ao tweet: “@AdamPlaysYT We’ll send someone down to you.”

Para além de réplicas em tempo real, a Brand24 permite, também, detectar oportunidades de venda, já que a grande maioria dos consumidores recorre à Rede antes de tomar uma decisão de compra, bem como comparar a sua pegada digital com a da concorrência. Outra das suas potencialidades é a identificação dos indivíduos que mais influência têm no mundo virtual (utilizadores cujos perfis têm uma grande audiência), que publicaram qualquer conteúdo sobre a marca ou um tópico específico e com os quais uma interacção conveniente poderá  trazer uma parceria benéfica.

A Brand24 é, portanto, uma ferramenta poderosíssima, com um interface simples e intuitivo (para os menos expeditos há todo um vídeo explicativo disponível no site) que, através de palavras-chave,  nos dá acesso instantâneo àquilo que foi/está a ser dito na web sobre a nossa empresa, seccionando as menções em positivas, negativas ou neutras. Numa questão de segundos são nos apresentados dois gráficos – um primeiro com o número de referências feitas no espaço de tempo que definimos na nossa pesquisa, assim como uma estimativa de alcance dos social media e um segundo que nos dá informação do local onde foram feitas essas referências. Ontem, quando a experimentei (não é gratuita, mas é-nos oferecido um demo durante 14 dias) escrevi “iphone” como termo chave – o supra-sumo do espectacular (perdoem-me os amantes do sistema android, que cá eu sou apple team) – e pude confirmar o amor que, tal como eu, tantas outras pessoas nutrem pelo aparelho. Hoje, já recebi dois emails com novos resultados da pesquisa. Meus caros, é das boas esta.

Uma outra ferramenta que permite avaliar o desempenho de uma organização nos social media é a LocoWise, possibilitando, a quem a utiliza, monitorizar campanhas, criar relatórios completos – que podem ser descarregados em Power Point, PDF ou Exel ou armazenados no “índice de referência” da conta para que possam ser acedidos em qualquer altura – e analisar resultados. A plataforma facilita, assim, a recolha de insights e de dados de engagement, de alcance e de conteúdos, apresentando a possibilidade de comparar a página da organização com a da concorrência ou a concorrência entre si, fornecendo informação útil para a delineação de estratégias que fortaleçam a marca. Diz-nos, assim, qual o  tamanho e o crescimento do perfil (número e evolução de seguidores relativamente aos adversários),  a frequência de publicação dos conteúdos (estará a marca rival a partilhar mais conteúdo?), as publicações com mais engagement (top das cinco publicações que, entre as minhas e as dos oponentes, tiveram um maior envolvimento), o melhor tempo de resposta (quem tem o “dedo mais rápido”?) e principais  influenciadores da página (quem são os  seguidores da concorrência? Jornalistas? Bloguers? Consumidores? E os meus?).

A LocoWise é assim, uma plataforma que consegue produzir relatórios e recolher informação de forma instantânea que possibilitam apurar as tendências e os interesses do público, bem como a performance da concorrência. É, portanto, extremamente útil no mundo empresarial que facilita o trabalho dos profissionais de comunicação, uma vez que, ao reduzir o tempo de recolha de dados, permite que estes dediquem mais tempo a analisar os insights recolhidos e dar-lhes bom uso.

E porque monitorizar nunca é demais, apresento-vos a Anewstip, que veio aproximar as organizações da sua estrutura mediática, constituindo-se como uma ferramenta de pesquisa de contactos relevantes nos media, possibilitando a sua monitorização e uma aproximação com personalidades do sector. Funcionando como uma base de dados global viabiliza, não só, o controle dos tweets e artigos noticiosos sobre a nossa empresa e a concorrência – o que permite mitigar a incerteza no processo de tomada de decisão – como também a construção de listas de jornalistas e de órgãos de comunicação social pertinentes para a área de negócio a que a nossa organização se dedica e a troca de mensagens com estas entidades.

Através da introdução de uma keyword são nos apresentados um conjunto de perfis de jornalistas e/ou outlets que referiram a palavra pesquisada nas suas publicações no twitter, com a indicação do score de influência mediática desses indivíduos e os seus dados pessoais – contacto telefónico, email profissional e descrição do seu percurso. Para uma optimização de resultados é possível fazer uma filtragem por hashtag ou geolocalização, o que possibilita aos profissionais de comunicação a monitorização e aproximação de stakehoalders específicos. A aplicação permite, ainda, a recepção de notificações aquando a menção da palavra-chave escolhida por determinado jornalista – seja num tweet ou numa notícia- a sua categorização por temas ou keywords e o envio de pitches para os media, informando-nos se foi visto, por quem e em que local. A Anewstip apresenta, assim, funcionalidades extremamente úteis para a construção de uma relação benéfica com os meios de comunicação social e para a monitorização mediática, absolutamente primordial nos dias de hoje.

Sou RP. Criei um Twitter. E agora?

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É absolutamente indubitável que a proliferação de tecnologias e plataformas digitais veio agilizar um sem fim de processos organizacionais, suprimir a ideia de monólogo comunicacional e, consequentemente, revolucionar a forma como as empresas se relacionam com os seus públicos. Da mesma forma, tornou-as mais vulneráveis, num cosmos em que, em menos de nada e ao mais pequeno resvalo, matilhas coléricas atacam com ímpeto e necrosam, sem dó nem piedade, um qualquer incauto – e, assim como quem estala os dedos, um pequeno deslize suscita um ruído infernal e toma proporções gigantescas, dada a velocidade de disseminação de informação na Internet (ups… e era uma vez uma reputação!).

É certo que o panorama contemporâneo torna quase que obrigatória a assiduidade no mundo digital. No entanto, não basta que as organizações marquem presença nos social media de forma arbitrária, sem um plano de acção alinhado e sem uma proposta de temáticas consistente, capaz de captar a atenção do público à qual dirige a sua actividade – sob pena de se auto-flagelarem. É necessário, ao invés, seleccionar a rede social mais adequada aos seus objectivos – tendo em conta os comportamentos da audiência com quem se relaciona e quer relacionar – e incluí-la numa estratégia delineada de conteúdo relevante que permita a criação de valor.

Sou um profissional de RP de uma marca. Criei um perfil do Twitter e agora? Total transparência, antes de mais e estabelecimento de diálogos profícuos em que o foco deverá ser na escuta activa, uma vez que tão ou mais importante do que falar é ouvir e compreender. Igualmente indispensável é, obviamente, dar uso a essa informação para actuar, seja na gestão de uma reclamação, seja no aproveitamento de insights para desenvolvimento de um novo produto ou até na resolução de uma emergência de um cliente, que na situação que não poderia deixar de enunciar foi só assim um life safer. Uma vénia à Virgin Trains que esteve à altura de uma ocorrência insólita. Passo a citar: “I’ve just had a reasonably large poo and there is no toilet roll left on the @virgintrains 19.30 train from Euston to Glasgow pls send help.” Três minutos depois a empresa respondeu ao tweet: “@AdamPlaysYT We’ll send someone down to you.”

Da mesma forma, é crucial adoptar uma posição pró-activa e uma perspectiva de actuação dinâmica, através da prática de storytelling, tal como referi no post anterior, que é a criação de engagement com o público e a partilha de experiências com a envolvente externa. O desafio das organizações passa por enquadrar a intervenção de um sem número de vozes na construção de uma narrativa, num processo ongoing alimentado pela participação e o feedback da audiência. É, assim, preciso criar uma história incompleta que não tem um início, um desenvolvimento e um fim padronizados, mas que resulta do envolvimento do público e é dinamizada pelas suas reacções e pela interacção com a comunidade.

Tão importante quanto investir no storytelling é ter sentido de oportunidade e saber agir no momento mais oportuno, isto é, at the point of impact, a altura em que o tópico é mais relevante para os consumidores.

“What’s happening on Twitter is not random conversation. It’s conversation about cultural topics that matter at the moment, and if you can figure it out how to tap in to that and have a real point of view that is sou nique to you for you, buta t the same time provocative and adds to the conversation, then you can have explosive engagement” (Bought, B.)

Foi o que fez a Oreo, na edição de 2013 do Super Bowl, quando, num par de minutos, e depois do apagão que marcou um dos maiores eventos desportivos do mundo, contra-atacou com um tweet em que se podia ler “Power out? No problem. You can still dunk in the dark”. Depois de uma quantidade absurda de retweets a marca veio provar que dispõe de uma equipa de comunicação absolutamente genial, preparada para qualquer contingência devido a todo um trabalho à priori de monitorização que lhe permitiu formular uma história rápida sobre um fenómeno cultural de forma espontânea e em tempo real, que gerou um enorme buzz em torno da marca. O sucesso no Twitter depende, assim e também, de um esforço em avaliar publicações anteriores e um controlo constante das conversas online que permita a construção de um modelo e de um alinhamento interno capaz de responder ao imprevisto e ao momentâneo.

Concluindo, gerir um Twitter corporativo não é, de todo, tarefa fácil. Estar presente não chega. É necessário desenvolver uma estratégia de conteúdo relevante que enquadre os valores e interesses da envolvente organizacional e que seja passível de ser reestruturada consoante os outputs da interacção com o público. Escutar e monitorizar são, portanto, o gral e a transparência e credibilidade são dois valores imperativos que têm de ter sidos em conta na conquista do mundo digital.

 

140 caracteres que mudaram o mundo

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Recentemente, fiz, a medo, um scroll na minha conta de twitter que é, nada mais nada menos, que um verdadeiro repertório de tesourinhos deprimentes. Na altura, não lhe conhecia outra utilidade que não a de chat com os amigos e a de caderneta periódica onde, entre algumas, poucas, coisas interessantes, ia debitando os dramas de proporções bíblicas dos quinze anos. Trivialidades, portanto, que, do auge de uma adolescência rebelde com laivos narcisistas, considerava dignas de serem partilhadas.

No entanto, atrás do conteúdo irrelevante e do barulho das conversas banais encontramos uma fonte noticiosa brutal que transmite,”em directo”, e num máximo de centena e meia de caracteres, os acontecimentos do globo 24h sob 24h. No twitter, a divulgação do sucedido é simultânea ao momento da produção dos factos e há um imediatismo na notícia que possibilita uma comunicação em rede espontânea e em tempo real, sem qualquer filtro ou intermediário, conferindo ao mais comum dos mortais o dom da ubiquidade e permitindo-lhe participar no molde da narrativa que conduz a sociedade. O público deixou, portanto, através do poder e da influência dos social media, de ter um papel puramente passivo, contemplativo e individual para integrar um processo colectivo de construção das histórias que o mundo empresarial lhe quer contar – que são agora edificadas ao segundo de acordo com o seu feedback constante. Passou, assim, a ser a voz e a mente criativa das organizações, contribuindo para o desenvolvimento de conteúdo e ideias em tempo real. Entrámos na era do live storytelling, meus caros, que visa humanizar a marca de forma a criar e fortalecer uma relação de proximidade com o consumidor, envolvendo-o e despertando nele a acrisia da emotividade.

Live storytelling is changing our definition of who and what is ‘creative’. It’s no longer the rarefied skill of a few people. Everyone can be creative nowadays, everyone is their own media company, everyone can participate in stories and ideas are constantly bubbling up from the audience.” Project #LIVE (2015)

Esta forma de comunicação a que as organizações se têm vindo a dedicar cada vez mais implica escutar a audiência (até porque ouvir é a pedra de toque da eficácia comunicacional), monitorizar continuadamente as suas reacções, perceber os seus interesses e interagir com ela em tempo real através de uma estratégia de conteúdo relevante que tem de ir ao encontro dos valores da própria organização. O corporare storytelling é, portanto, uma ferramenta que se constitui como um indicador de desempenho, permitindo a recolha de feedback instantâneo e a percepção do retorno do público àquilo que está a ser publicado, bem como a sua adaptação ao que a audiência procura, tal como como Patrick Stewart afirma no documentário citado em cima (“Project #LIVE“), a que não poderia, de maneira nenhuma, deixar de fazer referência.

“Just as the audience in the theater, that let’s you know when something is funny or not, or sad or not, I see right away what the impact of something I’ve written or image that I’ve sent has had. And then, I can either develop that, expand it or just let it sit out there.” Project #LIVE (2015)

“Quando faço tweets, vejo o RP do futuro”. Precisamente. Olho para o profissional de comunicação que actua no presente, em tempo real, mas que está sempre um passo em frente e preparado para o que há-de vir, para o imprevisível e o momentâneo – e a quem é pedido que domine a arte de contar histórias, que tenha uma apurada capacidade criativa e arcabouço para lidar com a realidade em modo #LIVE.

 O twitter é, sem dúvida, um fenómeno social que veio revolucionar a forma como trocamos ideias e consumimos informação e uma plataforma na qual o live storytelling é um factor essencial. Quem diria que 140 caracteres seriam suficientes para mudar o mundo.

Estará a Internet a tornar-nos estúpidos?

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Parece-me a mim que as novas tecnologias de comunicação solidificam uma espécie de pensamento reaccionário, um ressentimento directamente proporcional à idade. Não era, portanto, de esperar que um filósofo francês com mais de oito décadas nos apresentasse uma outra visão do mundo digital. Refiro-me a Michel Serres, o autor da “Pequena Polegar”, um livro que li no âmbito de uma outra cadeira e que não poderia deixar de citar dado o desafio do blog desta semana.

Serres apresenta-nos a «Petite Poucete» ou «Thumbelina», a geração ancorada nos avanços tecnológicos, medida pela virtualidade na interacção social cuja grande parte da vida flui dentro do LCD do smartphone, uma forma inteiramente nova, e necessária, da humanidade que tem o futuro nas mãos – ou na ponta dos dedos. Segundo o autor, este público pensa e vive na e pela Rede, que lhe dá a possibilidade de honrar o vazio do encéfalo, se utilizada sem critério, ou de conduzir a viagem do seu saber de uma forma mais fácil que a dos seus antepassados.

Não poderia concordar mais com o autor. É certo que os motores de busca nos oferecem conteúdos frívolos e sensacionalistas, que muitas vezes não correspondem à realidade. Não obstante, cabe-nos a nós, utilizadores, ir para além das duas primeiras páginas do google, saber distinguir referências fidedignas de dados falaciosos, não assumir o conhecimento anónimo como uma verdade absoluta e empregar a nossa capacidade crítica, reflexiva e interpretativa. Procurando no sítio acertado e descartando a informação errada e ambígua que o virtual nos oferece é possível encontrar dados úteis que satisfaçam as dúvidas que habitam as mentes mundanas e alicerçar até um novo corpo de conhecimento. A verdade é que parece inevitável que daqui a algumas décadas a Internet se torne a biblioteca mais completa do mundo.

Respondendo à questão que é o título do post, não, não é a Internet que nos torna estúpidos, – até parece que a pobre coitada nos obriga a utilizá-la sob pena de morte e a confiar cegamente em toda a informação que nos disponibiliza como se fosse o gral  – mas aqueles que não lhe sabem dar uso (alminhas ignorantes e menos expeditas que não se prestam ao exercício da análise e cuja criteriosidade está de baixa) e que acabam por dar a entender que assim o é.

Esta nova configuração da sociedade de informação e do conhecimento e o paradigma digital que a caracteriza trouxe, indubitavelmente, mudanças para a actividade de RP, que não poderia deixar de referir, tendo feito emergir um novo profissional de comunicação: o relações públicas online – e, com ele, a necessidade de adoptar novas técnicas e competências e de dominar as ferramentas digitais. Assim, é-lhe exigido a procura de estratégias e engagement com esta geração que cresceu em frente a um ecrã,  com gadjets como brinquedos, considerando as potencialidades tecnológicas e um mergulho no risco e no desafio que o online representa nos dias de hoje, bem como a monitorização do buzz na web social e a interpretação dos insights do público, avaliando o impacto que teve na reputação da organização e nos seus outputs, de forma a optimizar o relacionamento que a empresa desenvolve com o seu target e, consequentemente, a evitar a necessidade de uma comunicação de crise e/ou capitalizar possíveis oportunidades.

A comunicação digital – a grande tendência da área das relações públicas nos dias de hoje – trouxe consequências antagónicas: por um lado, uma enormidade de possibilidades, consequência de uma maior aproximação com os públicos, mas por outro um sem número de desafios inerentes à complexidade do desenvolvimento tecnológico e da generalização da internet como meio de comunicação das organizações.

As RP são uma janela para o mundo

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Se as RP gerem a comunicação de uma organização e a comunicação é uma janela para o mundo, então as RP são uma janela para o mundo.

As RP gerem a comunicação de uma organização e a comunicação é uma janela para o mundo.

Logo, as RP são uma janela para o mundo.

Tão simples quanto a forma dedutiva modus ponens que aqui vos apresento em cima.

As Relações Públicas assumem-se como uma função de gestão que constrói e gere, de forma estratégica, relações mutuamente benéficas entre uma instituição e todos os seus públicos, a fim de construir uma reputação favorável ao seu sucesso. Têm como objecto de estudo a realidade social, interpretam o mundo de forma minuciosa e monitorizam a envolvente o que lhes permite identificar problemas e/ou capitalizar possíveis oportunidades, agir pro-activamente , desenvolver um plano contínuo que possibilite a adaptação de uma empresa ao dinamismo de um meio em constante transformação, prever reacções por parte dos stakehoalders e identificar tendências da sociedade, da agenda mediática e da opinião pública. São, portanto, uma disciplina de comunicação e uma janela para o mundo que para além de contribuir para o alcance dos objectivos e para o cumprimento da missão de uma organização deve ter como enfoque o compromisso de e para com os públicos, procurando o contributo real para a sociedade e o bem comum.

Tal como afirma Philippe de Woot em Rethinking the Enterprise é necessário que as organizações se assumam não só como uma entidade física e comercial, mas também social, indo ao encontro das necessidades dos seus públicos e das expectativas criadas pela sociedade relativamente à sua actuação.

Em pleno século XXI é crucial que os profissionais de RP se foquem na reinserção da dimensão cívica nas entidades corporativas, isto é, no restauro daquilo que lhes confere legitimidade social – que implica que repensem o propósito da sua acção e o estendam para além da eficiência económica, que contribuam para a reflexão colectiva, questionando-se que mundo querem construir, que integrem uma visão mais ampla da sua actividade, orientando a sua decisão estratégica no sentido do interesse público, que, enquanto cidadãs, assumam a sua responsabilidade na construção do futuro e que redefinam o seu papel na sociedade, participando activamente na narrativa que a conduz, implementando medidas e meios reais para o progresso da humanidade.

Estamos, assim, perante um paradigma contemporâneo da actividade de RP que tem o desafio de alicerçar uma nova era da comunicação institucional cujos objectivos vão para além da procura obsessiva do lucro e tenham como princípio base o trabalho em prol do bem comum e o benefício da sociedade como um todo.

1, 2, 3, Experiência.

1, 2, 3… 1, 2, 3, Experiência.

Olá mundo! Este é o primeiro post de um blog em que tentarei, não só, responder aos desafios dados em aula, mas também partilhar aquilo que a motivação e o tempo me permitirem.

Confesso que será um desafio. Não por não gostar de escrever (pelo contrário, embora não o faça tanto quanto deveria), mas por pertencer à velha guarda. Prefiro, infinitamente, traduzir ideias e palavras num papel, como nos impingiam na primária, ao automatismo do jogo digital que é teclar em frente a um ecrã de computador. Gosto, particularmente, da possibilidade de riscar e rasurar e de sentir o relevo deixado pela força com que manuseamos a caneta numa folha de pouca gramagem.

Terei, daqui em diante, de deixar a escrita manuscrita, considerada obsoleta por muitos, para me dedicar ao processamento de texto no computador. Ainda não foi desta!

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